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Como tudo Começou...


 


A Meia Maratona de Lisboa nasceu da vontade de um pequeno grupo de pessoas de ver Lisboa invadida por gente anónima que, atravessando a Ponte 25 de Abril, poderia descobrir e desfrutar de forma totalmente diferente de locais que habitualmente são monopólio dos automóveis. Um desafio imenso para a época.

Foi à mesa de um restaurante, olhando a grande ponte, imponente na sua estrutura de aço e com os seus gigantes pés a mergulhar no Tejo, que a ideia surge na cabeça de Carlos Móia.

Lá fora já se fazia, mas em Portugal, ainda um país de hábitos conservadores, o desafio teria de vencer muitas barreiras. “Recordo que havia a ideia de que atravessar a ponte a pé era perigoso. O assunto tinha de ir ao governo, percebi logo que o caminho burocrático ia ser longo e demorado. Falei com Francisco Lucas Pires, meu amigo, companheiro de outras aventuras e sabedor de que caminhos devia seguir para levar por diante esta ‘louca’ ideia. Agendou uma audiência com o Dr. Mário Soares, ao tempo Presidente da República, ele levou o assunto ao Eng.º Ferreira do Amaral, Ministro das Obras Públicas. A partir daí foi só o silêncio de muitos dias. Não desisti, pedi uma audiência ao ministro, que me comunicou que teria de esperar por um parecer do gabinete de construção responsável pela ponte, nos Estados Unidos, para saber se a estrutura aguentava com uma prova destas. Sem isso, nada feito! Pensei que não havia vontade política e lamentei-me disso mesmo, mas não desisti, e a insistência foi tanta, que o ministro acabou por me dizer que daria a autorização se eu assumisse a responsabilidade substituindo-me ao parecer solicitado. Obviamente que não assumi. Confesso que o medo foi superior à vontade de avançar. Se o ministro tinha sentido necessidade de pedir um parecer aos técnicos da empresa de Eiffel que a construíra, quem era eu para assumir tamanha responsabilidade?”

“A informação por que tanto ansiava também não tardou: não havia perigo, o tabuleiro aguentava o desafio sem problemas. Montei a equipa numa operação?relâmpago: Mário Machado, Rafael Marques e Reinaldo Gomes foram as traves?mestras, outros se foram juntando.”

Depois de aprovada a travessia da ponte, foi tempo de ganhar o apoio do Presidente da Câmara de Lisboa, Dr. Jorge Sampaio. “Foi um porto de abrigo seguro”, recorda Carlos Móia, “percebeu logo a importância que a prova teria para a projecção da cidade, foi um dos que sempre acreditaram nas potencialidades que a Meia Maratona viria a alcançar com o passar dos anos.” E assim foi, Sampaio esteve ligado ao arranque da prova que, anos mais tarde, já Presidente da República, viria a correr.

Foi em 17 de Março de 1991 que começou a história da Meia Maratona de forma oficial, com o Ministro da Educação, que tutelava o desporto, Roberto Carneiro, a fazer parte do grupo de pessoas que primeiro atravessaram a pé a Ponte 25 de Abril.

Rosa Mota foi figura de cartaz. Acabara de saber que as revistas americanas Track & Field News e Runners World, espécie de bíblia e alcorão das corridas, a tinham elegido maratonista do ano. “A Rosa foi o primeiro nome de que me lembrei quando já estava certo que íamos conseguir arrancar com a prova. Houve quem me dissesse que era melhor ter juízo, que qualquer maratonista como ela exigiria mais de 50 mil dólares de cachet, mas não só me disse logo que sim, como disse também que não cobraria um tostão. Diz muito do que foi como atleta, mas principalmente do seu carácter”, relembra Móia.

A experiência já banal noutras grandes cidades do mundo era, contudo, uma novidade em Lisboa, e atravessar a ponte a pé era toda uma descoberta. “Tive tanto medo, que nem sequer me atrevi a olhar para baixo. Durante muitos metros, fechei os olhos para não me assustar”, assim recorda Rosa Mota essa experiência do agora já distante ano de 1991.

De lá para cá, já por aqui passaram campeões olímpicos, recordistas mundiais, treinadores de futebol, presidentes da República e primeiros-ministros, mas, acima de tudo, aquilo que verdadeiramente torna esta prova única são os milhares e milhares de pessoas anónimas que vivem a alegria de poder atravessar a ponte a pé.



 

Principais Marcos

26 anos a atravessar a Ponte 25 de Abril com seis recordes do mundo batidos

 
2016 – Mais dois recordes mundiais

Dois recordes mundiais caíram em mais uma edição da EDP Meia Maratona de Lisboa nas corridas de cadeira de rodas.
 

O britânico David Weir melhorou o seu desempenho de 2015 e cortou a meta em 42.23 minutos, mais que um minuto de vantagem sobre outro britânico, Simon Lawson (43.55), e o costa-riquenho Laurens Molina (44.55). Na corrida das mulheres, Rochelle Woods foi a primeira, completando o percurso em 49.49, apenas um segundo à frente de Jade Jones (49.50).

Nas principais corridas, nos homens, os quenianos provaram o seu domínio com sete atletas no top 10. Sammy Kitwara foi o vencedor desta edição da IAAF Gold Label Road Race, aproveitando a quebra do seu compatriota Leonard Komon, que chegou a andar bem destacado dos restantes atletas. Sammy Kitwara cortou a meta em 59,44, à frente de Kenneth Kipkemoi e de Paul Lonyangata. O primeiro não-queniano foi o ugandês Moses Kibett (6.º), e o melhor português foi Samuel Barata (16.º, 1.04.41).


Etíopes mais fortes

A corrida feminina mostrou-se mais competitiva, com as primeiras cinco mulheres a correrem juntas até à primeira metade. A primeira a ficar para trás foi a portuguesa Sara Moreira (terminou em quinto), e depois a queniana Eunice Chumba (quarta no final). Aos 20 km seguiam juntas (1.05.50) as etíopes Ruti Aga e Ymer Wude Ayalew e a queniana Linet Masai. No quilómetro final, Ruti Aga foi mais forte e venceu com sete segundos de vantagem sobre Wude Ayalew. Masai cruzou a linha 10 segundos atrás dela para terminar em terceiro.


 

2015 – Recorde europeu de Mo Farah

Apesar de não se ter preparado especificamente para a prova, o britânico Mo Farah, bicampeão olímpico, bicampeão mundial e bicampeão europeu, foi o grande vencedor desta edição, recuperando bastante de um atraso nos primeiros quilómetros, triunfando em 59m32s, o terceiro melhor tempo mundial da temporada (até então) e novo recorde europeu. À passagem dos 20 km também lhe foi creditado o recorde europeu dos 20 km, com 56m27s.

Os três primeiros conseguiram baixar da uma hora, ficando a sensação de que, num dia perfeito, poderão vir a lutar por baixar dos 59 minutos.

Em femininos, a história da prova foi diferente. Rose Chelimo isolou-se cedo, cerca dos 25 minutos da prova, e fez o resto do percurso sem companhia. Aos 18 km, ela tinha 16 segundos de avanço sobre Priscah Jeptoo e 49 sobre Sara Moreira. A portuguesa fez uma recuperação espectacular e conseguiu passar a segunda pouco depois dos 20 km. Bateu o seu recorde pessoal (1h10m08s) ao concluir o percurso em 1h09m18s.

Recorde de participantes

O recorde vinha de 2014, com 9403 classificados. Já era esperado que fosse agora batido depois de a organização ter dito que, dos 35 000 inscritos, cerca de 15 mil eram na meia maratona. Classificaram-se 10 578, um novo recorde de participantes numa prova de estrada em Portugal. Significativa a participação feminina: 2312 (21,9%).

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2014 – Recorde mundial em cadeira de rodas

A 24.ª edição da Meia Maratona de Lisboa, com cada vez mais concorrentes (já são quase 10 mil, só na “meia”!), não teve grandes novidades em termos competitivos. A nota principal foi dada pelo estreante (na distância) Bedan Muchiri, com uma vitória surpeendentemente confortável, abaixo da hora (59.58). Para quem já fora quinto nos 10 000 m dos Jogos de Londres 2012, e sexto no Mundial de Moscovo 2013…

No setor feminino, a italiana Valéria Straneo, vice-campeã mundial da maratona e vencedora da «Meia» da Ponte Vasco da Gama em Outubro, foi a exceção não-africana entre as nove primeiras. A vencedora, a bem pouco conhecida Worknesh Debele, fora segunda naquela prova da Ponte Vasco da Gama.

Mas a grande nota foi o recorde mundial (feminino) na prova em cadeira de rodas, que reuniu os melhores especialistas mundiais. A suíça Manuela Schar (categoria T53) gastou 50.06, e tanto ela como as três seguintes (que chegaram com dois segundos de intervalo) fizeram melhor que o anterior recorde (50.11) de outra suíça, Sandra Graf, agora terceira!

Em termos de números, chegou-se ao redondo número de 40 mil participantes, sendo que na meia maratona se registaram 9.735 chegados!

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2013 – Regresso queniano às «dobradinhas»

Entre 1995 e 2007 (13 edições), os atletas quenianos fizeram oito vezes a “dobradinha” na Meia Maratona de Lisboa, ganhando nos dois sexos. Nesse último ano, culminavam quatro edições de superioridade. Após duas edições sem vitórias, regressaram agora em pleno: para além dos primeiros lugares, ocuparam cinco dos seis lugares dos pódios (só deixando o 3.º masculino).

Pelo que fizera na Maratona do Dubai em Janeiro (5.º com 2.04.53), Bernard Koech era apontado como favorito e cedo o confirmou, isolando-se ao 7.º km para não mais ser alcançado… nem ameaçado. Concluiu abaixo da hora (apesar do vento contrário na 2.ª parte da prova), em 59.54.

A corrida feminina foi bem mais disputada. As quenianas Edna Kiplagat, Eunice Kirwa e Pasalia Chepkorir foram juntas até quase ao fim, até que Kiplagat, a favorita (campeã mundial da maratona em 2011 e já vencedora em Nova Iorque e Los Angeles), arrancou para a meta, que cortou em 1.08.48. Dulce Félix foi a melhor europeia, em 5.º lugar (1.10.44).

Mas os números finais continuaram a subir e foi mesmo “obrigatório” limitar as inscrições a 37 mil concorrentes, esgotados bem cedo. Registaram-se no final 8149 concorrentes, mais 17 por cento que os 6975 de um ano antes e mais 49 por cento (!) que os 5476 de 2010.

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2012 – O primeiro “tri” masculino

Eram os favoritos e confirmaram-no: Zerzenay Tadese ganhou pelo 3.º ano consecutivo, igualando os três triunfos de Martin Lel, vencedor… de três em três anos, entre 2003 e 2009; Shalane Flanagan deu novo triunfo aos Estados Unidos, três anos depois de Kara Goucher, sua companheira na selecção americana para a maratona olímpica. Mas, desta vez, Tadese, que se queixou de uma gripe no início da semana, ficou afastado do recorde mundial que bateu em 2010 (58.23) e ameaçou em 2011 (58.30): gastou 59.34 numa manhã com pouco vento mas um pouco quente.

O português Rui Silva classificou-se em 4.º lugar, com 1.02.40, melhorando em 8 segundos o seu recorde pessoal, conseguido três semanas antes, quando ganhara em Santander, e tornou-se o segundo melhor de sempre desde 1998, quando António Pinto ganhou, na sequência de excelentes classificações anteriores: fora quatro vezes segundo, entre a 1.ª edição, em 1991, e a 6.ª, em 1996, e uma vez terceiro, em 1997…

Nova subida (e assinalável) nos concorrentes à meia maratona, os únicos contabilizados: no ano passado, o recorde de presenças na meta passara de 5504 em 2009 para 6330 (mais 15 por cento). Este ano, subiu para 6975 (mais 10 por cento). Ao todo, foram quase milhar e meio de concorrentes a mais em três anos, uma subida de 27 por cento.

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2011 – Quase recorde mundial… de novo

A 21.ª edição da Meia Maratona de Lisboa, disputada num domingo quente de Março, ficou marcada pelos recordes: o eritreu Zerzenay Tadesse, que há um ano conseguira o recorde mundial em Lisboa, com 58.23, tentou tudo para o bater (e receber novo cheque de 50 mil euros), ficando a escassos 7 segundos do objectivo; a portuguesa Dulce Félix, em preparação para a Maratona de Viena, para além de ter conseguido um honroso 2.º lugar em 1.08.33, melhorou em claros 46 segundos o velho recorde nacional que Fernanda Ribeiro detinha desde 1998, em Ovar.

Foi também o ano de recorde de concorrentes chegados na meia: 6330 classificados, bem acima do máximo anterior de 5504, num total de 36 mil participantes.

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2010

Zersenay Tadese bateu o recorde do mundo da meia maratona ao passar a meta em 58,23, marca que continua actualmente por superar. O corredor da Eritreia contou com o auxílio de três “lebres” e retirou 10 segundos ao anterior recorde mundial de 58,33, que pertencia ao queniano Samuel Wanjiru. Conquistou um prémio de 50 mil euros. Participaram 36 mil atletas no total das provas. Também neste ano, Carlos Móia recebeu a medalha de mérito da cidade de Lisboa e foi lançado o hino da prova, de João Gil.

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2009

Na 19.ª edição da prova, os atletas de elite e em cadeiras de rodas passaram a partir de Algés, para que as marcas alcançadas pudessem ser, de novo, homologadas pela Federação Internacional de Atletismo (IAAF). Já depois dos recordes mundiais de Pinto, Tergat e Chepkemei, os regulamentos internacionais mudaram exigindo uma diferença de menos de um metro de altitude entre o ponto de partida e o de chegada. Com a corrida a sair do tabuleiro da ponte 25 de Abril, este requisito não era cumprido.

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2008 – Quase havia recorde mundial…

À 18.ª edição, a Meia Maratona de Lisboa teve uma inovação importante, tendente a homologar as marcas nela obtidas. Os atletas de elite (em número muito restrito) partiram de Algés, entrando num percurso comum em Alcântara, com cinco quilómetros de prova destacou-se o etíope Haile Gebrselassie que ficou a 43 segundos do recorde mundial. Também o português Eduardo Henriques, quinto classificado, esteve em grande: fez melhor que o recorde mundial de veteranos, a oito dias de completar 40 anos!

Uma nota para o despique queniano pelo segundo lugar, Charles Kamathi acompanhou “Gebre” até aos 10 km, destacou-se mais do terceiro, Robert Cheruiyot, que estava a mais de meio minuto aos 15 km mas, aos 20 km, já estavam a par. Porém falou mais alto a “maldição” de Cheruiyot que viu Kamathi cortar a meta em segundo lugar. Cheruiyot subiu ao pódio pelo sexto ano consecutivo sem nunca ter ganho (3.º-3.º-2.º-2.º-2.º-3.º)!

A competição feminina foi muito equilibrada e… lenta. As atletas fizeram uma corrida táctica, para evitar a derrota, e Salina Kosgei repetiu o triunfo de 2006 mas com mais dois minutos que então. Mas a quinta classificada só gastou mais seis segundos!

Embora com um ligeiro acréscimo, o número de concorrentes classificados na meia maratona continuou a subir. Mantendo a tendência de crescimento que se verifica desde 2002 (3168), chegaram este ano à meta 4772 concorrentes à meia maratona, mais 22 que em 2007. Desses 4772 concorrentes, 657 (quase 14 por cento) são mulheres.

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2007 – Andamento feminino acelerado

Como habitualmente, os “craques” da Maratona de Nova Iorque estiveram em Lisboa, como o brasileiro Marilson dos Santos, vencedor na “big apple” em 2006, mas o calor fez das suas e muitos dos favoritos ficaram para trás, disso se ressentindo os tempos finais, com nove atletas quenianos nos 11 primeiros (a excepção foi Jaouad Gharib, de Marrocos, terceiro, e o brasileiro em quarto.

Venceu Robert Kipchumba, segundo em Roterdão’2006 com 59.28 e vicecampeão mundial de estrada (nunca fez maratona), que se superiorizou ao mais consagrado Robert Cheruiyot, que pelo quinto ano consecutivo subiu ao pódio sem vencer!

Melhores andamentos na prova feminina, com três quenianas no pódio, e o triunfo para Rita Jeptoo, vencedora da última Maratona de Boston (e terceira no último Mundial de Estrada), em 1h07m05. Susan Chepkemei, recordista do percurso (1.05.44 em 2001) e mais duas vezes vencedora desde então, foi segunda.

A organização anunciou o fecho das inscrições para as duas provas (meia e mini) a meio da semana da corrida, com 36 mil concorrentes. O dia da prova estava excelente e apelativo. Entre os concorrentes à mini-maratona, os mais mediáticos voltaram a ser o primeiro-ministro José Sócrates e o presidente do Benfica, Luís Filipe Vieira.

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2006 – O pleno queniano

Já “vistos” em edições anteriores, os atletas quenianos ainda tinham reservados alguns feitos proeminentes e em 2006 conseguiram preencher (pela primeira vez!) os dois pódios, proporcionando algumas surpresas, com triunfos de Martin Lel (já vencedor em 2003) e Salina Kosgei (estreante). Os favoritos Paul Tergat (4º) e Susan Chepkemei (2ª) foram surpreendidos. Os melhores portugueses foram Fernanda Ribeiro (4ª, a três segundos do pódio) e Luís Jesus (6º).

Uma edição marcada pela primeira derrota do suíço Heinz Frei, na prova de cadeira de rodas, à mão do francês Alain Fuss.

Foi o ano da participação do indiano Fauja Singh, o mais idoso maratonista em actividade, e a AIMS aproveitou o prestígio da competição portuguesa para entregar o troféu de melhor atleta do ano ao marroquino Jaouad Gharib.

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2005 – Imortalizado em livro…

Foi o ano da 15ª edição da Meia Maratona de Lisboa e esse marco foi perpetuado com a edição do livro da prova, de autoria do jornalista António Simões, com prefácio do Dr. Jorge Sampaio, à data, Presidente da República Portuguesa, que fez a mini com guarda de honra formada por Rosa Mota e Paulo Guerra!Também o Clube do Stress, onde estava integrado o primeiro ministro José Sócrates, esteve em grande força.

Em termos desportivos, nunca, até então, um vencedor repetira a vitória. Cinco anos depois, Tergat volta a ganhar e com o segundo tempo de sempre, a quatro segundos do recorde de 59.06. Susan Chepkemei venceu pela terceira vez. E, a fechar, Rosa Mota recebeu o prémio com o seu nome das mãos do Dr. Jorge Sampaio, com o testemunho de Carlos Móia.

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2004 – De “prego a fundo”…

O ano anterior tinha sido marcado por tempos mais lentos do que o habitual e a 14ª edição da prova voltou aos tempos velozes, com nada menos de cinco atletas abaixo da uma hora! Em grande luta, Rogers Rop (vencedor das maratonas de Nova Iorque e Boston em 2002), segundo em Nova Iorque em 2003, atrás de Martin Lel, reeditou em Lisboa esse grande duelo, e veio a vencer com dois segundos de avanço e o quinto classificado ficou só a nove segundos!

Em femininos venceu a queniana Joyce Chepchumba, funcionária dos correios. Desde 1999 que se realiza, conjuntamente, a corrida em cadeira de rodas e 2004 marcou o quinto triunfo do suíço Heinz Frei que colecionava, por essa altura, doze títulos em Jogos Paralímpicos, sete medalhas de prata e oito de bronze.

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2003 – De Lisboa para o… Mundo

Não se baixou da uma hora de corrida, os favoritos não se mostraram especialmente e acabou por triunfar um ilustre desconhecido, Martin Lel. No entanto, nos meses que se seguiram Lel mostrou ser de alta estirpe e “explodiu” em Nova Iorque.

Em femininos foi hora da etíope Derartu Tulu terminar o reinado das quenianas com uma vitória destacada. Uma vez mais os atletas portugueses ficaram longe da principal constelação de estrelas, mas entre os mais de 15 mil concorrentes houve de tudo, até mesmo um casamento!

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2002 – Trio em menos de uma hora

Meses depois dos ataques às Twin Towers em Nova Iorque, a Meia de Lisboa conseguiu juntar três dos melhores meio-fundistas de sempre: Haile Gebrselasie (Etiópia), Hendrick Ramaala (Àfrica do Sul) e Paul Tergat (Quénia). Um cartaz de luxo que terminou por esta ordem, todos abaixo de uma hora de corrida, mantendo a tradição.

Na prova feminina, A grande favorita, Magaret Okayo baqueou e foi Susan Chepkemei quem venceu, repetindo feito do ano anterior, embora mais de dois minutos mais lenta. E sim, nessa edição, a “lebre” de luxo da queniana foi o português… Domingos Castro.

Foi o ano em que o “futebol” mediatizou a prova, com a participação na meia maratona do treinador do Sporting, Lazlo Boloni, que viria a sagrar-se campeão nacional.

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2001

Foi a vez da melhor marca mundial feminina da distância ser batida também na prova feminina. A queniana Susan Chepkemei cortou a meta em 1.05,44 e baixou o seu máximo pessoal em mais de três minutos. Nesta edição, houve duelo entre as “gigantes” Tegla Loroupe, Derartu Tulu e Lornah Kiplagat, mas foi Chepkemei a levar os louros e os 150 mil dólares de prémio. O então Presidente da República, Jorge Sampaio, correu a mini-maratona com o dorsal número 1.

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2000

Paul Tergat veio a Lisboa bater a marca de António Pinto. Na 10.ª edição, o prestigiado queniano passou a meta em 59,06, confessando mais tarde que dormira mal e acordara sem qualquer feeling para a prova. A sua marca só não foi considerada recorde do mundo por existir uma diferença de mais de um metro de altitude entre o ponto de partida e o de chegada. Mas a prova foi considerada a mais rápida do mundo e o feito de Tergat entrou para o Livro Guinness dos Recordes.

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1999 – Estreia de Fernanda Ribeiro

Pela primeira vez na sua história, a Meia-Maratona de Lisboa recebeu a camepã e recordista olímpica de 10 mil metros, Fernanda Ribeiro. Levava em si o sonho de bater o recorde da Europa, mas não o conseguiu. Mesmo assim haveria de terminar em segundo lugar, batida apenas pela queniana Tegla Loroupe, bicampeã mundial de meia-maratona.

Em masculinos, António Pinto “caíu” para o oitavo lugar, sorrindo a vitória a Jophet Kipkorir Kosgei, um desconhecido queniano, dono de um centro de fotocópias, que nunca na vida havia corrido uma meia-maratona e que, meses mais tarde, venceria a Maratona de Roterdão.

Foi instituído o prémio Rosa Mota, que distinguiu o campeão olímpico de maratona Gelindo Bordin.

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1998

António Pinto conseguiu finalmente vencer, depois de ter ido ao pódio por cinco vezes, mas sempre com medalha de prata ou bronze. Os 59,43 com que cortou a meta foram, na altura, melhor marca mundial, embora não homologado pela federação internacional (IAAF). Foi o primeiro e único português a conseguir vencer a prova. Com o nome, esse ano, de Expo’98, a Meia-Maratona de Lisboa foi considerada a melhor do mundo na distância.

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1997

Para além da meia maratona e da minimaratona, foi criada a Luzinha Mini Campeões, para atletas mais jovens. E também a Rota dos Descobrimentos, quatro quilómetros de treino, na véspera da prova, à beira-Tejo. Dois anos depois, a meia maratona abriu-se às cadeiras de rodas. No conjunto das provas, houve 15 mil participantes, na altura, número recorde.

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1996 – Pinto “eterno” segundo

Terceiro triunfo de Tecla Lorupe que entre cada uma das suas participações em Lisboa foi melhorando um minuto, voltando a derrotar uma romena e a “nossa” Albertina Dias, que se estreava na competição. No sector masculino António

Pinto alcançava o seu quarto (!) segundo lugar, perdendo com novo desconhecido queniano, e ostentava o título de “rei” do azar… Consolidou-se, entretanto, a ideia da “fun run” e a mini-maratona (em conjunto com a “meia”) registava mais de 10 mil participantes.

 

1995 – O poderoso Quénia

Pela primeira os vencedores da “Meia” eram naturais do mesmo país. A queniana Tecla Lorupe voltou a vencer e a espalhar a sua simpatia em terras lusas, desta vez face à romena Anuta Catuna e a Liz McColgan. Na prova masculina, o desconhecido Simon Lopuyet destacou-se ainda antes de metade da prova e assegurou o triunfo, apesar da junção de esforços dos portugueses António Pinto (de novo segundo!) e Domingos Castro.

Os protestos, meses antes, na Ponte 25 de Abril impediram o helicóptero da RTP ter imagens dos milhares de corredores a atravessar o Tejo.

 

 

1994

A queniana Tegla Loroupe iniciou na quarta edição um reinado lisboeta que só terminaria em 2000, com apenas um ano de interregno, em 1998. Em 1994, foi a primeira a cortar a meta com 1.09,27. Ganharia a prova mais cinco vezes. Pela primeira vez, realizou-se em paralelo a mini-maratona, na distância de oito quilómetros, com 1743 participantes, iniciativa fundamental para o sucesso da prova ao longo dos anos e para a aquisição, pelos portugueses, de hábitos saudáveis de actividade física.

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1993

Pela primeira vez, na terceira edição, um corredor terminou abaixo da uma hora. Um queniano desconhecido, Sammy Lelei, cruzou a meta em 59,24, marca que só não fez sensação na altura porque a organização chegou, já depois da prova, à conclusão de que o percurso tinha sido mal medido. Carlos Móia, responsável pela organização, poupou os 100 mil dólares de prémio.

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1992 – Dois “números 1”

Foi a “Meia” dos dois “números 1”, Fred Lebow e Carlos Lopes. Dando continuidade ao seu espírito inventivo, e de “marketing”, a organização conseguiu a presença do director da Maratona de Nova Iorque, Fred Lebow, e o campeão olímpico Carlos Lopes. Em termos desportivos houve as duas vitórias internacionais que foram marcando as restantes edições: no sector masculino, o “desconhecido” Tendai Chimusasa (que derrotou o campeão olímpico Gelindo Bordin), no feminino, a húngara Helena Barocsi relegou (de novo…) Manuela Dias para o segundo lugar.

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1991

Na primeira edição da Meia Maratona de Lisboa, com a travessia na ponte 25 de Abril, participaram 3973 corredores e Rosa Mota foi a figura de cartaz. O pódio feminino foi todo português, com a campeã olímpica no lugar mais alto (1.09,53) e o inglês Paul Evans o primeiro vencedor masculino (1.01,44). Rosa Mota foi, até hoje, a única portuguesa a vencer.



 

Um Testemunho...

Uma viagem de 70 000 pés!

Por António Fernandes

Anualmente, num domingo de Março, 70.000 pés iniciam a sua travessia da Ponte 25 de Abril. Uma tradição iniciada no século passado, em 1991.

Foi, então, também numa linda manhã de Março que nasceu este projecto da Meia Maratona de Lisboa. Iniciariam a aventura mais de 3500 corredores, sendo que se registaram no final 3103 chegados, com a história a registar os triunfos do inglês Paul Evans, com 1h01m44, e da portuguesa Rosa Mota, com 1h09m52.
Foi um marco ímpar no desporto português uma vez que foi possível atravessar a Ponte 25 de Abril, após meses de conversações e de pareceres técnicos que envolviam os possíveis danos que tantos participantes poderiam causar.
Os números de chegados na meia maratona viriam a aumentar significativamente e dois anos depois passava a barreira dos 4000 (4261).

A introdução da mini-maratona, o percurso entre as portagens e o Mosteiro dos Jerónimos viria a marcar novo incremento de participações e rapidamente se registaram mais de 10000 pessoas a atravessar a Ponte e a concluir a sua grande manhã desportiva. A tendência, a partir daí, foi sempre a aumentar até aos números de hoje, com mais de 35 mil participantes registando-se já um recorde de 9403 concorrentes chegados na meia maratona!

O sucesso desportivo esteve a par do incremento de participações e para isso muito contribuiu o extraordinário conjunto de grandes atletas que brilharam nesta enorme competição, que no ano 2000 foi considerada a mais rápida meia maratona do Mundo!

Entre esses valorosos atletas encontramos, só para referir os medalhados olímpicos que venceram em Lisboa, os campeões Rosa Mota (vencedora na primeira edição, a única vez que uma portuguesa venceu), Fernanda Ribeiro (nunca venceu), Haile Gebrselasie (vencedor em 2002 e 2008); e ainda de diversos medalhados olímpicos como Joyce Chepchumba (triunfou em 2004), Derartu Tulu (2003), Shalan Flanagan (2012), Paul Tergat (2000 e 2005) e Zersenay Tadese (2010, 2011 e 2012).

Mas houve outras figuras que marcaram a prova em diversos momentos, como a simpática queniana Tegla Loroupe, vencedora em seis edições, ou o seu compatriota Sammy Lelei, então um “ilustre” desconhecido, que foi o primeiro a baixar a uma hora (59.24) nesta prova, marcada por um erro de percurso que impediu a homologação do resultado como recorde, sendo que nessa altura o “recorde” vigente era de 60.06 e pertencia a Steve Monegethi e que em Abril viria a ser melhorado para 59.47 por Moses Tanui em Milão.

Até 2009 os corredores de elite faziam o mesmo percurso de travessia da ponte e, devido aos parâmetros da Federação Internacional, as marcas alcançadas não tinham o estatuto de recorde mundial mas sim de melhor marca mundial de sempre e a primeira vez que em Lisboa se chegou ao top dos mais rápidos corredores de sempre em Meia Maratona foi em 1998, quando António Pinto conquistou a primeira (e única, até agora!) vitória portuguesa, cortando a meta e 59.43 minutos! Dois anos depois, o queniano Paul Tergat melhorou esta marca para 59.06 minutos.
Em 2001, a queniana Susan Chepkemei cortou a meta em 1h05m44 igualando o então recorde mundial que pertencia a Elana Meyer desde 1999.
Ainda neste período (antes de 2009), damos conta de mais “recordes”, como o recorde mundial de veteranos (M35) obtido por Paul Tergat em 2005 (59.10 !) e o recorde sul-americano da brasileira Carmen Oliveira com 1h09m31 em 1994.

Após 2009, os atletas de elite iniciam a sal corrida em Algés, num percurso totalmente plano e que, agora sim, lhes permite estar em condições para a obtenção do recorde do Mundo, objectivo esse que foi logo alcançado no ano seguinte, com o eritreu Zersenay Tadese a vencer a prova com a marca de 58.23 minutos! Aliás, a sua passagem aos 20 km também é recorde mundial da distância com 55.21 minutos.
No ano seguinte Tadese esteve perto do seu recorde (58.30), voltando a cotar Lisboa como uma prova verdadeiramente propícia à queda de recordes.
A excelência da competição levou-a a ser “Golden Label”, a mais alta qualificação das provas realizadas sob a égide da Federação Internacional.

E é este conjunto de atributos desportivos que atrai, anualmente, milhares de concorrentes, uns mais conhecidos, como foi o caso do ex-Presidente da República Portuguesa, Dr. Jorge Sampaio, outros políticos como José Sócrates (ex-primeiro ministro), Roberto Carneiro (ex-ministro da educação) ou Pedro Mota Soares, actual ministro da Solidariedade e Segurança Social, outros mais desconhecidos.

O atractivo de, com a corrida, juntar três dos mais icónicos marcos de Lisboa, o Cristo Rei, na margem sul, a passagem da Ponte 25 de Abril, uma das mais lindas do Mundo, e o Mosteiro dos Jerónimos, continua a ser um cartaz turístico de excelência que atrai milhares de estrangeiros e portugueses para desfrutarem um momento único nas suas vidas.